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Ainda não é neste século que população vai parar de crescer


12.º Ano BIOLOGIA - V. Preservar e Recuperar o Meio Ambiente

Ainda não é neste século que a população vai parar de crescer
18.09.2014 - PÚBLICO.PT - ANA GERSCHENFELD


A população mundial deverá continuar a aumentar para além de 2050

Ao contrário do que sugeriam alguns cenários da ONU, a população mundial não deverá declinar a partir da segunda metade deste século. O mais provável é que sejamos 11 mil milhões em 2100.

Em 2100, a densidade populacional da África subsariana deverá ser igual à da China actual. Esta é uma das inesperadas conclusões de um estudo realizado por cientistas da Universidade de Washington (EUA) e das Nações Unidas (ONU), que pela primeira vez quantificaram com grande precisão, utilizando ferramentas estatísticas, a evolução da população mundial ao longo do século XXI.

O que isto significa à escala global é que se torna extremamente improvável que um dos cenários até agora considerado pela ONU – que previa o fim do crescimento demográfico mundial – se venha a verificar. Os novos resultados, que têm importantes implicações políticas, sociais e ambientais, foram publicados online esta quinta-feira pela revista Science.

“O consenso ao longo dos últimos 20 anos tem sido que a população mundial, que hoje ronda os sete mil milhões, iria aumentar até aos nove mil milhões para a seguir estabilizar ou talvez declinar”, diz em comunicado da sua universidade Adrian Raftery, um dos autores do estudo. “Mas nós descobrimos, pelo contrário, que a probabilidade de a população mundial não vir a estagnar neste século é de 70%. A demografia, que tinha sido ‘riscada’ da agenda mundial, continua a ser essencial.”

A ONU publica, de dois em dois anos, dados sobre a população de todos os países e em particular as suas taxas de fecundidade, mortalidade e migração. Até agora, dali resultavam três cenários para o futuro, baseados nas várias evoluções possíveis dessas taxas consideradas realistas pelos peritos: uma projecção demográfica “baixa”, uma “média” e uma “alta”. Antes de mais, as projecções baixa e a alta eram obtidas, respectivamente, subtraindo e acrescentando “meia criança” à taxa de fecundidade de cada país, o que, só por si, estava longe de representar a realidade.

Mas sobretudo, estes cenários pecavam pelo facto de não haver maneira de determinar objectivamente a probabilidade de um deles acontecer em relação aos outros. Agora, Raftery e colegas conseguiram, precisamente, avaliar essas probabilidades. E revelaram assim um futuro demográfico bem diferente para as próximas décadas.

“Agora, podemos começar a responder a perguntas acerca da evolução demográfica futura utilizando princípios de raciocínio estatístico, algo que nunca tinha sido realmente feito até aqui”, salienta Raftery.

O que os cálculos destes cientistas mostram é essencialmente que, com uma probabilidade de 80%, seremos entre 9,6 mil e 12,3 mil milhões a habitar a Terra em 2100. E na prática, excluem do âmbito do possível os cenários extremos, incluindo o que previa um pico da população por volta de 2050 e depois o seu declínio.

O maior contributo para este crescimento que se prefigura é o da África subsariana, cuja população deverá quadruplicar até 2100. “Existe uma probabilidade de 95% para que a população daquele continente, hoje de cerca de mil milhões, passe para algo entre 3,1 mil milhões e 5,7 mil milhões de pessoas, sendo a projecção mediana de 4,2 mil milhões”, escrevem os cientistas. “Isso tornaria a densidade populacional da África mais ou menos igual à da China actual”.

Por quê um tal aumento? Até aqui, os demógrafos pensavam que a fecundidade naquela região iria declinar. Mas a nova análise revela que os níveis de fecundidade elevados vão persistir. As mulheres africanas ainda têm, em média, 4,6 crianças, em parte por falta de acesso aos métodos contraceptivos. E a isso vem juntar-se uma diminuição da mortalidade por VIH/sida, que, salientam os autores, não tinha sido tida em conta nas projecções anteriores.

“As nossas projecções indicam que há poucas hipóteses de o crescimento demográfico acabar se não houver um declínio sem precedentes da fecundidade na maior parte da África subsariana onde ainda se verifica um rápido crescimento da população”, escrevem ainda. Contudo, acrescentam, “o rápido crescimento populacional poderia ser moderado através de maiores investimentos nos programas de planeamento familiar (…) e na educação das raparigas” e das mulheres – as duas coisas que podem fazer descer as taxas de fecundidade.

“O crescimento da população dificilmente se trava, como o revela este estudo, mesmo que os níveis de fecundidade baixem”, disse-nos Maria João Valente Rosa, demógrafa e directora da Pordata. “É cómodo pensarmos que o problema é causado pelos ‘outros’ e que as respostas terão de ser os ‘outros’ a encontrá-las. Mas sabemos que o melhor contraceptivo é o desenvolvimento. Por isso, desacelerar o crescimento da população mundial significa abrirmos os horizontes de desenvolvimento aos países menos desenvolvidos.”

Quinta Sep 18, 2014 20:33 / netxplica.com

Vamos ser 11 mil milhões em 2100. Vem aí um mundo imprevisível
19.09.2014 - EXPRESSO.PT | Raquel Albuquerque



Uma população a aumentar até ao final do século tem impactos na alimentação, habitação, emprego ou saúde. "É difícil prever quais serão as consequências", diz ao Expresso Patrick Gerland, demógrafo das Nações Unidas.

Provar que afinal a população mundial vai crescer até ao final deste século vem contrariar os cenários que têm sido feitos nos últimos 15 anos, refere ao Expresso Patrick Gerland, demógrafo das Nações Unidas e um dos autores do estudo publicado esta quinta-feira na revista 'Science' que aponta um crescimento ininterrupto da população até aos 11 mil milhões em 2100.

Se a população em África aumentar para o quádruplo até ao final deste século, "é difícil prever quais serão as consequências". Contudo, o investigador lembra que "o mundo tem sido capaz de lidar com outros aumentos de população, como, por exemplo, dos 2,5 mil milhões em 1950 para os 7000 milhões de hoje". A capacidade humana para a adaptação, atenuação de efeitos, mas também para a inovação e novas descobertas, cria condições para lidar com o crescimento demográfico, explica Gerland.

Só que o aumento da população "requer mais emprego, habitação, cuidados de saúde, educação, consumo de energia, entre outros". E esses desafios são mais difíceis para os países que assistem a um crescimento populacional muito rápido e que tentam "aliviar a pobreza e alcançar as suas metas de desenvolvimento".

Além destas dificuldades, está também a necessidade de garantir alimentação suficiente para 11 mil milhões de pessoas. O que é preciso fazer desde já para o assegurar? "Em termos da produção alimentar, há várias questões, como eventualmente uma nova 'revolução verde' de forma a chegar a novas gerações de colheitas mais adaptadas aos vários climas, mas também chegar a técnicas agrícolas mais sustentáveis, incluindo fertilizantes, abastecimento de água, resistência a pragas, etc."

Patrick Gerland sublinha ainda a necessidade de aplicar alguns esforços noutros problemas. "Os transportes e as redes de distribuição alimentar, a nível local, regional ou global, são também pontos-chave para ajudar os países a fazer face a vários problemas, como as secas, por exemplo."

O estudo desenvolvido em colaboração com a Universidade de Washington refere ainda que este crescimento da população poderá ser moderado através do investimento em programas de planeamento familiar, incentivando o uso de contraceptivos. Investir numa maior educação das mulheres é outra das apostas em causa, visto uma maior escolarização feminina estar associada a uma descida da taxa de fecundidade.

Sexta Sep 19, 2014 22:53 / netxplica.com

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