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Toxina que mata peixes pode ajudar a tratar as pessoas


12.º Ano BIOLOGIA - IV. Produção de Alimentos e Sustentabilidade

Há uma toxina que mata os peixes mas pode ajudar a tratar as pessoas
02.03.2013 - PÚBLICO.PT | Andrea Cunha Freitas

Dr

Imagem microscópica de células normais do baço do robalo (à esquerda); e de células a morrer devido à acção de uma toxina produzida por uma bactéria (à direita)


Nos peixes, a AIP56 é letal. Porém, pode ser útil para as pessoas se for devidamente manipulada. A investigação é da Universidade do Porto.

Mesmo as piores coisas do mundo podem ter um lado bom. Basta dar-lhes uma oportunidade e conhecê-las o melhor possível e, no limite, usar aquela que parece ser a sua pior característica para a aplicar em algo benéfico. Este pode ser o futuro da toxina AIP56, que é letal para os peixes mas que, segundo um artigo de investigadores do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da Universidade do Porto publicado ontem na revista PLoS Pathogens, pode ser "um achado para a biomedicina". É que a mesma estratégia usada para enganar o sistema imunitário dos peixes pode servir para conceber novas formas de ataque a doenças auto-imunes e oncológicas, entre outras.

A bactéria Photobacterium damselae piscicida produz uma toxina perigosa, a AIP56, que quando infecta os peixes começa por "convencer" células do sistema imunitário (macrófagos e neutrófilos) a suicidarem-se. Com este "ataque", a toxina elimina a primeira linha de defesa dos animais.

Aliás, a toxina actua, desde logo, de forma maquiavélica, já que "opta" por levar as células a um tipo de morte programada, denominado apoptose, em vez de simplesmente as matar, o que desencadearia uma resposta inflamatória do organismo. Este "suicídio" provocado por parte da defesa dos peixes faz com que se assista a uma necrose acelerada de alguns órgãos internos, que culmina na morte dos animais.

Em 2005, os investigadores do IBMC publicaram um artigo que provava que esta toxina era a causa de morte dos peixes (afectando espécies de aquacultura de água salgada e quente). Mas quiseram saber mais sobre o modus operandi da AIP56.

O novo artigo publicado agora descreve e desmascara a toxina perigosa. Segundo referem os autores, a engenharia natural da AIP56 coloca-a no grupo das toxinas A-B, portanto, com dois domínios.

Vamos imaginar então que o A é o cérebro e o B o corpo. É o domínio B que possibilita que a toxina entre nas células funcionando como mecanismo de transporte. Assim, o lado B da toxina "empurra" a parte A até ao interior das células. Aqui, o lado A entra em acção e consegue desactivar um importante factor de transcrição - chamado NF-kB - que desempenha "um papel central na resposta inflamatória e que inibe a morte celular". Ou seja, o domínio A da toxina consegue "desligar" uma resposta do organismo - uma inflamação -, que seria capaz de destruir a bactéria e defender os animais da infecção.

"A questão está em saber tirar partido da função da toxina e conseguir manipular a sua actuação para nosso benefício", diz Nuno dos Santos, que chefiou o grupo. Como? "A activação desregulada do NF-kB está associada a inúmeras situações graves, como doenças inflamatórias, doenças auto-imunes e vários tipos de cancro", explica o investigador.

Assim, temos por um lado doenças que "excitam" o NF-kB e o deixam desregulado e demasiado activo e, por outro, temos uma toxina que é capaz de desligar este factor de transcrição. Para assegurar que a estratégia é eficaz e que não causa danos, será preciso calcular bem as doses a administrar desta toxina, explica Nuno dos Santos.

Segundo adiantou ao PÚBLICO o investigador, o objectivo será idêntico ao que acontece no campo da quimioterapia. A equipa já fez um pedido de patente para este tipo de utilização da toxina. Porém, com isto estar-se-ia apenas a explorar as potencialidades do domínio A da toxina. E o B?

"A parte B poderá vir a ser utilizada para transportar medicamentos para o interior das células, como se fosse um endereço postal", diz Nuno dos Santos, acrescentando que, para isto, será preciso manipulá-la e associá-la a outras moléculas que seriam os "parceiros da viagem" até ao interior das células. Também esta ideia já foi sujeita a pedido de patente, confirma o investigador.

Porém, a aplicação na biomedicina não é para já. Falta, por exemplo, perceber como e onde o domínio B da toxina entra nas células. Sabe-se agora que é uma chave que abre esta porta, mas onde está e qual é a fechadura que usa para esta invasão? Quando a equipa tiver estas respostas será mais fácil manipular a toxina, fazendo reverter esta capacidade para proveito das pessoas.

Por outro lado, sublinha Nuno dos Santos, conseguir a estrutura tridimensional desta toxina será também uma preciosa fonte de informação.

O grupo de Nuno Santos "tem-se centrado prioritariamente nos processos de infecção em peixes, de forma a encontrar meios de evitar a propagação de doenças em aquaculturas intensivas e, por isso, muita da investigação que tem efectuado ao longo dos anos resulta de parcerias com empresas para o desenvolvimento de vacinas passíveis de aplicação na aquacultura", de acordo com um comunicado divulgado pelo IBMC. "Porém, a AIP56, uma das toxinas que têm vindo a estudar nos últimos anos, revela agora um enorme potencial para utilização em saúde humana."

A história da ciência está repleta de descobertas científicas com contributos importantes para a sociedade que resultaram de "observações inesperadas, muitas vezes de áreas científicas que não estão directamente relacionadas com a aplicação da descoberta propriamente dita", adianta o investigador, avançando com o conhecido exemplo da toxina botulínica que, servida em doses indicadas, conquistou um lugar em várias áreas médicas. Mas foi no campo da estética que ficou famosa, com o nome de botox.

Segunda Mar 04, 2013 13:34 / netxplica.com

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