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Metade dos portugueses não faz teste do VIH/Sida por medo


9.º ANO CIÊNCIAS NATURAIS - 2.1. Doenças sexualmente transmissíveis

Inquiridos dizem que esta é a pior doença depois do cancro
Metade dos portugueses não faz teste do VIH/Sida por medo

27.11.2008 - PÚBLICO.PT | Romana Borja-Santos

Marko Djurica/Reuters (arquivo)

O estudo revelou que ainda há muito desconhecimento face aos comportamentos de risco


Apesar de um em cada três portugueses conhecer uma pessoa seropositiva, metade da população tem receio de fazer testes para diagnóstico da doença por vergonha. Os dados fazem parte do estudo “A Opinião Pública Portuguesa e a Sida – Ultrapassar a Era do Medo”, que revela que 80 por cento dos inquiridos associa esta doença ao medo, o que os impede de irem ao médico para evitarem ser confrontados com possíveis maus resultados.

De acordo com o mesmo estudo, realizado no âmbito do Dia Mundial da Luta Contra a Sida, que se celebra a 1 de Dezembro, 43 por cento dos inquiridos considera que esta é a segunda doença mais grave em Portugal, depois do cancro (76 por cento), e 24 por cento refere que os portadores de VIH/Sida são dos grupos mais discriminados pela sociedade.

Ainda assim, há muito desconhecimento face aos comportamentos de risco e o medo e a injustiça são os principais sentimentos gerados pela doença. Cerca de 93 por cento das pessoas que participaram no estudo dizem que as pessoas infectadas com o vírus são discriminadas, e apenas 37 por cento sentem que este tratamento diferencial tem reduzido. O estudo revela, ainda, que uma grande parte das pessoas não tem uma ideia muito clara do número de infectados, nem da sua faixa etária. Embora a maioria dos inquiridos (77 por cento) associe o risco às relações sexuais não protegidas (não utilização de preservativo), a multiplicidade de parceiros sexuais é considerada por apenas 14 por cento.

Quanto à atitude das diferentes entidades no combate à Sida, são as áreas ligadas à saúde, à investigação e à solidariedade social que têm uma atitude mais empenhada, para os entrevistados. Do lado contrário está o Estado, os líderes de opinião, a igreja Católica e os Empregadores, vendo 58 por cento dos inquiridos estes últimos com desconfiança.

Campanhas publicitárias pouco recordadas

Para os inquiridos as campanhas de publicidade mais eficazes são as que apelam à prevenção, ao uso de preservativo e à necessidade de um diagnóstico precoce. São estas que a população melhor recorda. Porém, a grande maioria é indiferente a muitas delas – apenas 49 por cento recorda com alguma facilidade as campanhas publicitárias levadas a cabo nas últimas décadas.

O estudo - elaborado pelo Instituto de Ciências da Saúde (ICS) da Universidade Católica Portuguesa com o apoio da Tibotec – baseou-se num inquérito realizado em Novembro junto de 603 portugueses, de ambos os sexos, entre os 18 e os 65 anos, sobre temas de saúde pública. “Pretende-se que as conclusões possam dar um contributo fundamentado para se ultrapassar o medo, gerando novas atitudes face às pessoas seropositivas e à doença”, explicou Castro Caldas, médico neurologista e Director do ICS.

Em Portugal, o primeiro caso foi detectado em 1983, no Hospital Curry Cabral. Segundo estimativas para Portugal do Programa Conjunto das Nações Unidas para a Infecção VIH/Sida, existirão no país cerca de 32 mil pessoas infectadas, entre os indivíduos do grupo etário dos 15-49 anos. Assume-se para este cálculo um número de infectados não diagnosticados de 30 por cento, de acordo com a média da União Europeia.

De acordo com a classificação adoptada pela OMS, a epidemia portuguesa é do tipo concentrado. A prevalência na população geral portuguesa é inferior a um por cento, mas pelo menos em dois grupos vulneráveis (utilizadores de drogas injectáveis e reclusos) é superior a cinco por cento. No caso dos grupos de utentes que recorreram em 2004 às diferentes estruturas de tratamento da toxicodependência, as percentagens de positividade para o VIH variaram entre os 12 por cento e os 28 por cento. O relatório diz também que o peso relativo das vias de transmissão da infecção tem-se modificado em Portugal, mas os utilizadores de drogas injectáveis representaram, desde o início da epidemia e até 1999, a maior proporção de infectados.

Quinta Nov 27, 2008 17:43 / netxplica.com

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